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ANCHIETA ANTUNES

No começo dos tempos, quando o homem ficou em pé, quando saiu para caçar e prover seu sustento, havia um emaranhado de duvidas em seu cérebro. Ele pensava, e não sabia que pensava. Aquele, e muitos outros pensamentos não lhe serviam de nada, a não ser para cuidar de sua própria segurança, por instinto. Nos demais elementos do bando ou grupo de pessoas, cada um tinha sua própria linha de comportamento. Não havia unidade no bando, não havia detalhamento de ações, de estratégia. Talvez o mais forte se impusesse como líder, sem nem mesmo saber a importância de seu domínio sobre os demais.

            Não havia a palavra falada, não se manifestava o pensamento articulado. A comunicação dava-se por mímicas, por linguagem gestual, acenos e gritos afônicos. Era difícil o entendimento entre os pares, entre as famílias, entre todos os membros do aglomerado de pessoas que se conheciam, que conviviam sob o abrigo da mesma caverna.

            Com o passar do tempo, aquele alvoroço foi, em decorrência da inteligência latente, transformando-se em palavras, pequenas que fossem. Deu-se nesse momento, o inicio da comunicação entre os afins. Vagarosamente a vida foi se tornando mais fácil, ou pelo menos, mais discutida, mais elaborada.. Assim como os animais irracionais, o homem lutava e matava para sobreviver. A lei da selva apresentava-se em todo o seu vigor, moldando a matéria prima bruta no sentido da preservação da espécie.

Como não havia moeda, não havia ambição, nem a necessidade de acumular. Guardar carne para os dias seguintes, nem pensar, o freezer estava longe de ser inventado. Também comiam os frutos que a natureza doava. Alguns eram e continuam sendo, venenosos. Houve muita morte por ingestão do desconhecido.

No continente africano, eles andavam nus, em virtude do calor e da ausência do pudor. Quando caminhavam, as mulheres balançavam os peitos e os homens os penduricalhos. Havia o acasalamento da mesma maneira como fazia os tigres, zebras, peixes e tantos outros. A força do sexo sobrepunha-se ao raciocínio. Até hoje é assim, só mudou a forma, a embalagem. A natureza agressiva caminhou até os dias atuais. A cordialidade demorou milhares de anos para aflorar no comportamento da sociedade. Se o homem era obrigado a matar a caça para sobreviver, que espaço havia para a cordialidade? Havia, talvez, uma pálida manifestação sincrética.

            A roupa veio guardada no alforje do conceito de pecado. Quem inventou o pecado? O misticismo, e como somos místicos, também criamos a culpa, a vergonha, a penitência, e, sem duvida, o esquecimento. Depois, uma mente inteligente e ambiciosa, criou a confissão, o castigo (penitencia: um pai nosso e três Ave Maria) e o perdão.

  • As mulheres afunilaram os peitos em formas de tecido, e os transformaram em seios, só que escondidos, ou parcialmente ocultos com o intuito claro de chamar a atenção do macho conspícuo. O emaranhado de duvidas continuou, apenas houve uma mudança de conceitos, de duvidas, de resultados para o que foi pesquisado. Houve um tremendo avanço cultural, clássico e adstringente, produzido pela rapidez dos acontecimentos. A curiosidade como marca registrada do ser humano, o induziu à pesquisa que resultou na invenção e produção de microscópio, e tantas outras ferramentas laboratoriais.

Entramos na era da observação científica, do conhecimento, das descobertas acadêmicas. A medicina evoluiu, a engenharia deu passos agigantados, o homem foi pra lua, fazer o quê, ninguém sabe, nem mesmo a NASA; pura vaidade, a fatuidade de proclamar:_chegamos primeiro… Se o nosso planeta já é grande demais pra nós, qual a necessidade de ir procurar paragens insalubres? Estão pesquisando os elementos químicos que formam as rochas lunares. Os cientistas vão dizer, e com toda razão, que sou ignorante, que não entendo absolutamente nada de ciência, de pesquisa, e terão toda razão; não entendo mesmo, nem quero entender; já temos rochas demais em nosso ambiente. Não vejo motivo para importar mais um pedacinho de pedra, “importar por um preço —lunático—“

            Os tempos mudam, o homem evolui, desenvolve-se mentalmente, o cérebro fica mais refinado, o raciocínio mais rápido e evolve em direções nunca antes imaginadas. Ficamos mais altos, mais eretos, exuberantes como uma orquídea altaneira destacando-se na floresta virgem. Passamos a exigir uma porção de coisas factuais, como se fossem indispensáveis, apenas para garantir conforto e status, ou seja, leviandades.

            Saltamos, num piscar de olhos, das cavernas para as naves espaciais. No solo de profundas cavernas escuras deitamos nossos “tacapes e brandimos o “raio laser””.

            E nelas estamos comodamente acomodados como se nelas tivéssemos nascido, como se sempre elas nos pertencessem; elas, as cavernas, sofreram um processo de reestruturação, de aperfeiçoamento e acabamento com finos materiais comprados na loja da esquina.

 

 

PENSAMENTO   ARTICULADO, EVOLUÇÃO GARANTIDA.

 

 

Nascemos   navegantes,    desbravadores,   pesquisadores;

Sempre   fomos  

                                                             Continuaremos   sendo

                                                  “cientistas”.

Estou pensando seriamente em “azeitar” meu arco e flecha; aquele que comprei                                                        na Amazônia, como

                                                                       ARTIGO   DE   DECORAÇÃO.

Anchieta Antunes   -

Gravatá   –   06/02/14.

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   DIA   INTERNACIONAL   DA   MULHER
08 de março de 2015
Mulheres de todos os tempos, de todos os dias, mulheres diáfanas,
exuberantes, sensíveis e tolerantes.
Mulheres da crista da serra, mulheres das sombras envoltas em nuvens de chuvas, nos pingos esparsos mergulham na terra, nos vales, nos rios e mares, molhando a saudade do primeiro abraço.
Mulheres, venturas, ternuras, proteção e adoção dos homens burlescos, rodopiando no picadeiro do circo, do palhaço caricato, das folhas de aço cingindo ligeiro o calor do afago.
Braços que envolvem o perdão do homem amado nas noites eternas da clemência feminina.
Mulheres que adoçam a vida, que balançam na ponta do mastro, mostrando aos ventos sua ventura eterna e protegida por Deus. Mulheres que balançam os bebês, que engordam suas carnes tenras, que transformam chorões em homens vibrantes, que alimentam com o sal da terra todos os necessitados de carinho, cuidados e amor.
A mulher e o beneplácito da vida, de suas entranhas saímos, de seus seios sugamos nossa existência, a essência da moral, o aconchego dos anjos nas plácidas nuvens que nos cobrem a cabeça, o corpo, a alma, a ventura de sermos. Mulheres de ontem e de hoje, mulheres de todos os tempos, de todos os dias, vocês merecem a homenagem diária de nós, bípedes brigões, embriagados sempre pela ingestão da seiva do amor, da dedicação e de suas eternas atenções carinhosas.
Mulheres, Rainhas do Olimpo, de Creta, de Roma, Amantes de Don Juan, de Buda, de Baco nas tardes outonais, de todas as crenças, de todos os Deuses; mulheres   que escorregam no  fio da navalha para cortar os males da terra, que enterram no vale das sombras o vitupério  da fraqueza humana, as iniqüidades do pecador. Mulheres de sempre,
VIBRANTES SÁBIAS.
MULHERES  GUERREIRAS,  AGRACIADAS  POR DEUS,
VIVAM SEMPRE, PARA NOS EMPRESTAR O TRIBUTO
DA EXISTENCIA.
Anchieta Antunes
08/03/2015.

ANCHIETA ANTUNES

Quando perco a fé na minha cama, levanto para vadear a aurora em busca de antigos acontecimentos. Estórias asiladas nos mais recônditos dos escaninhos, prontas a serem deflagradas ao mundo aberto para idéias.

Assim aconteceu hoje muito cedo da manhã. Lembrei-me de meu cunhado/pai Elino Torquato do Rego. Sertanejo de boa cepa, não conseguiu um curso superior porque na época não havia Universidades no sertão. Autodidata e curioso como maré alta que avança praia acima em busca dos segredos da vida, cavando a areia, indo buscar lá no fundo os conhecimentos enterrados pelo tempo que corre solto.

Era junho de 1978, em plena Copa do Mundo quando chegou minha transferência para Roraima (ainda território). Elino chegou pertinho de mim perguntando e definindo sua companhia em, agora, nossa viagem. De mala e cuia partimos para um mundo desconhecido. Primeira escala: MANAUS – AM. No aeroporto “Eduardo Gomes” esperava por mim uma jovem loura artificial cheia de “amor pra dar”.Ela queria dar mesmo, não duvidem. Dar amor, não deturpem…Quem era eu para me negar beber no cálice da paixão, no oráculo da juventude o néctar da volúpia. Nem pensar!

Elino dizia: _”Chetere” dispensa essa menina, isto não vai dar certo, pense enquanto é tempo. Éramos só nós dois, por que agora essa “cunha”? Ele esposo dedicado e pai amantíssimo não poderia nunca concordar com um relacionamento extra conjugal, se bem que eu já havia rompido meu primeiro casamento.

O ímpeto ofuscou meu raciocínio e lá fui eu com duas pernas a mais para me deixar canhestro. Conhecemos Manaus em taxi e ônibus. Caminhamos muito pela “Zona Franca”, onde ele comprou um “barzinho” domestico no formado de um auto antigo. Cabia uma garrafa e dois copos. Ainda hoje está na casa de minha irmã viúva, em perfeito estado.

Seguimos para Boa Vista-RR, ela com um filho em amamentação. Ficamos no hotel de Euzébio, um paraibano que havia migrado para a terra dos diamantes, em busca de fortuna. Ganhou uma mulher e um filho. Euzébio pesava 150 quilos, a mulher, uns 60. Não me perguntem da “mágica da prática”, não saberia dizer.

Boa Vista foi em seus primórdios uma cidade previamente traçada; uma praça no centro, de onde saem todas as ruas formando uma circunferência raiada, como se fosse uma rodela de abacaxi. Não tinha muito para ver e tudo para descobrir. Segredos ocultos nas serras brilhantes de minérios, de onde brotavam pepitas de ouro que serviam como moeda

ANCHIETA ANTUNES

         Otacílio, nos seus idos de quase setenta anos, resolveu numa manhã de extremo calor, e depois de uma noite mal dormida, que devia, que queria, e que ia arranjar uma amante. Estava farto de dormir sozinho numa imensa cama de casal. Afinal de contas, casamento para que serve?

         Otacílio foi pai muito jovem, quando ainda não havia entrado nos vinte anos de idade. Sua esposa Lucia, moça prendada e de rara beleza para os padrões da época, esforçava-se para agradar o marido, um turbilhão de ímpetos e emoções diárias, uma verdadeira avalanche de vida   Tiveram doze filhos; melhor, ela pariu os 12 doze, ele ajudou um pouco, nos começos de noites em que chagava cedo em casa. Depois da broa de milho e de um café forte, ia pra cama pronto para desempenhar seu papel de macho do lar.

         Lucia paria sem nem mesmo gritar; não reclamava nunca, só tinha olhos e vida para o marido amado. Ia pra cama sorrindo sempre que ele piscava o olho com seu ar zombeteiro. Filhos? Era um fora e outro dentro. Em 16 anos, doze alminhas aflitas vieram ver a luz do sol. Lucia não perdeu nenhum filho; também, com os cuidados que tinha com cada um, não podia mesmo perder um rebento saudável.

         Lucia amamentou cada filho durante um ano, ou seja, durante 12 anos deu de mamar à sua prole exigente. Seus lindos seios juvenis, empinados, rosados, macios e atrevidos estavam uma miséria, uma catástrofe; dois molambos arriados sobre uma barrida pontuda, não faziam jus à sua postura de altivez, vencida pelos cuidados maternos com os rebentos já quase adultos.

         Otacílio olhava para aquela figura que ele tanto amava e ficava com raiva da natureza madrasta. Seu ímpeto masculino havia acabado com sua linda e esbelta mulher de antanho. Ele não se achava culpado, ela também não; ninguém era culpado pelo que acontecera com o corpo de sua amada. O tempo não só apaga o passado, como destrói a matéria. É certo que Otacílio continuaria amando sua mulher, mas ele precisava de sexo e sua companheira estava cansada, exausta, debilitada e não queria nada com sexo, com um peso assustador em cima de sua barriga emasculada de valores conspícuos. Queria dormir, apenas dormir, por todo o resto de sua vida.

         Otacílio lutou por mais de seis meses para encontrar uma jovem de 50 anos, ou mesmo de 60; não encontrou; estavam todas ocupadas ou comprometidas com outros jovens de 55 ou 60. Depois de muita relutância ele decidiu que apelaria para mulheres de 65 ou 70 aninhos, contanto que estivessem aprumadas, saradas, empinadas.

         Um ano depois estava no auge da felicidade com sua amante septuagenária, ou seja, uma beldade com seus avançados 76 aninhos. Era esbelta, com olhos grandes (também com 6 plásticas repuxando o couro da cara, qualquer olho fica grande), lábios carnudos, ( cheios de silicone), um busto de fazer inveja a furacões da mídia social, (seios turbinados e com medo de agulhas por perto).

         Ele com o cós da calça coberta pela barriga incipiente ( bota incipiente nisso…), as canelas finas e os peitos balançando ao som da mais suave valsa de Strauss, achava-se um verdadeiro galã de novela. Meu amigo, a verdade é que depois dos 70 qualquer coisa é o melhor da vida.

         Como sua amiga não aguentava sabugo todas as noites, ele foi obrigado a conseguir outra aventura. Ele, já com 72, teve que aceitar uma amiga da amiga de 83, com todo o vigor da juventude descaída da margarida despetalada. Virginia (veja só que nome: Virginia; mais rodada que saia de baiana). Virginia tinha um corpito de 75, estava inteiraça, a pele reluzia como se fosse de menina nova (porções de cremes aplicados cinco vezes ao dia).

         Uma noite foram passear no parque da cidade. Era época de festa popular. Virginia disse que queria andar na Roda Gigante.

_Meu amor, é perigoso, vamos procurar uma brinquedo mais suave!

_Não senhor! Quero a Roda Gigante, ta pensando o que? Sou destemida, e um brinquedinho destes não me assusta.

         Foram! Fazer o quê? Ela pagava, ele obedecia. Lá em cima, na cumieira do céu, Virginia sorrindo para a vida, para o prazer do desafio, com os braços abertos, como se estivesse orando para o Ser Supremo pela benção da existência, recebeu sem esperar, um sopro de vento. Um vento forte, robusto e desafiador. Que vento foi este que, sem apelação, levou pra bem longe a “chapa” (dentadura, prótese, como queiram chamar) da incauta admiradora dos astros.

         Otacílio não percebeu de imediato o acontecido e continuou desfrutando de seu passeio nas alturas. Quando olhou de “soslaio”, ou seja, quando “espiou de bandinha”, vislumbrou um mastigar diferente de sua amada amante. Ela parecia estar mastigando as gengivas…

_Que foi que aconteceu, meu amor?

_…”e o vento levou!!!”

_Levou o que, meu amor?

_Levou minha jovem dentição, e não sei pra onde!

_Não se preocupe, eu tenho um amigo que mora no Bairro Novo que é um excelente protético. É verdade que ele está com 93, mas continua um ótimo profissional.

_Mas nem morta, Um protético do Bairro Novo, com 93 anos, vai fazer o quê, com minha boca? Pode ficar com ele, se quiser eu enrolo pra presente!

         Virginia ficou sem dentes, Otacílio sem amante, e Lúcia com o marido importunando novamente.

Otacílio pensou em conseguir outra amante, mas naquela altura da idade, só iria escolher candidatas acima de 85 anos. “Melhor ficar quieto” pensou ele, e voltou para dormir com sua amada mulher.

         Otacílio jurou que nunca mais andaria de Roda Gigante, nem mesmo Roda para anões.

ALAOMPE

Anchieta Antunes – Copyright

Gravatá – 26/01/2015.

Apesar de ser comum em empresas de tecnologia, a inovação é um conceito que deve estar presente em qualquer negócio, independentemente do seu ramo de atuação. Mais do que um diferencial no mercado atual, inovar é uma necessidade. E, ainda bem, ela está ao alcance de todos.

Confira agora 6 dicas para praticar inovação em seu empreendimento!

Não se reprima

Quando a inibição ataca, a pessoa se sente limitada e presa. Ou seja, o contrário do que se espera de um profissional inovador. Para praticar este conceito é preciso se libertar das amarras corporativas, deixar de lado ideias preconcebidas e verdades absolutas. Basicamente aplicar o famoso termo “pensar fora da caixa”. Procure estar sempre aberto a novas ideias e soluções sem se prender a limites. Uma forma de fazer isso ao buscar a solução para um problema é deixar sua mente correr solta. Anote tudo o que vier à cabeça, mesmo as ideias mais loucas. Depois, selecione aquilo que faz sentido. Lembre-se: inovação é muito mais um fator psicológico do que intelectual.

Anote suas ideias

Muitos profissionais considerados inovadores e criativos têm o hábito de manter em um diário anotações sobre suas ideias e pensamentos. Alguns anotam em blocos de notas, outros preferem post-its, enquanto há ainda a turma que prefere papéis soltos mesmo. Não importa o meio escolhido: crie um método para capturar seus pensamentos,organizar suas ideias, colocá-las no papel e dar início a um processo criativo.

Crie hábito diferentes

O ambiente pode afetar — e muito — a forma como você se sente. Quanto mais relaxada e calma a pessoa está, mais receptiva ela fica para deixar a criatividade e a inovação fluírem. Não é à toa que muitas boas ideias surgem embaixo do chuveiro ou quando a pessoa está caminhando por aí sozinha. Cada um tem um gatilho próprio para acessar a energia inovadora. É preciso descobrir qual é o ambiente que desperta isso em você. Na mesa do restaurante da empresa, sentado no banco em frente ao prédio ou olhando a janela da sala? Muitos profissionais inovadores costumam fazer longas caminhadas para conseguir resolver um problema. Experimente e veja se funciona para você.

Troque ideias

Sessões de brainstorming é uma excelente forma de praticar a inovação em qualquer tipo de negócio. Precisa de uma solução? Convoque não só sua equipe, mas pessoas de diferentes áreas da empresa para discutir o problema e dar opiniões. Muitas vezes tudo o que você precisa é de um olhar diferente para resolver a questão.

Saiba aonde quer chegar

Planejamento e foco são essenciais para colocar a inovação em prática. Antes de começar a pensar em novas ideias, analise qual a meta que você tem que cumprir, quais os objetivos que precisa alcançar e todos os passos que precisa dar para chegar lá. Depois de fazer isso, abra espaço para novas ideias.

Permita-se errar

Inovação não existe sem erro. Para inovar é preciso correr riscos e cometer alguns tropeços pelo caminho. Admita que algumas ideias simplesmente não vão funcionar. Não fique triste, encare como um aprendizado, aceite o que aconteceu e use este conhecimento para tentar algo ainda melhor. Assim como grandes empresas que hoje são modelo de inovação, também erraram em certos momentos. O importante é não desistir e começar outra vez.

E você, qual é a sua tática para pensar em ideias inovadoras? Compartilhe com a gente sua opinião! E lembre-se: inovar é prática, então pratique já!

Fonte: contaazul.com.br/blog

ANCHIETA ANTUNES / GRAVATÁ PE

 

Vi a dor cruel

rasgando as entranhas

do meu amigo Chico,

vi o brilho morto

de seu olhar distante,

perdido no baú das desilusões.

 

“Minha Pombinha”

assim ele a chamava;

chamava a sua Claudia,

a esposa, a companheira,

confidente, amiga,

protetora, sábia;

a cumplicidade entre os dois

permeava uma vida nobre

de entendimento, de postura,

e confiabilidade.

 

Os dois sorviam

da mesma água de vivência

em comum, para saciar

a mesma sede de vida,

de louvor a Deus,

convalescendo

cada mazela diária,

curando as raízes

dos pensamentos

profanos,

na liturgia da cura

espiritual,

alimentada

pela fé.

 

Fé no invisível,

na crença do divino,

fé na força de cada um;

no espírito forjado dia a dia.

na procura de novas verdades,

antes do anoitecer dos tempos.

.

 

Chico está sofrendo

a ausência de sua

segunda pele,

de seu primeiro amor,

de seu sonho harmonioso,

seu riso espontâneo

sua razão existencial.

 

 

 

 

Ele apenas espera

o reencontro glorioso

no espaço sideral,

na nuvem dos anjos,

nas asas da felicidade eterna,

encontrada na vida após vida.

 

Chico quer,

Chico vai

novamente

encontrar-se

com seu

único amor.

 

Boa viagem

meu amigo

unam-se

dois em um

pelo restinho

da eternidade.

 

.

Anchieta Antunes

Dezembro – 15/2014.

ENVIADO POR ANCHIETA ANTUNES

POSSE   DA   NOVA   DIRETORIA   DA   ALAOMPE

Dia 22 de novembro de 2014 – Aconteceu às 19:00 horas no

Salão Nobre da Academia de Letras, Artes e Ofícios Municipais de Pernambuco – ALAOMPE.

Iniciou-se o ato com as palavras de boas vindas da Secretária Geral da ALAOMPE, Dea C. Coirolo Antunes, que convidou os presentes para cantar o Hino Nacional Brasileiro, junto ao Coro Madrigal de Caruaru. P

Para nosso deslumbramento compareceu o Coro, que abriu a solenidade cantando o Hino Nacional Brasileiro. Todos nós cantamos com entusiasmo e vibração patriótica. Outras peças foram interpretadas com absoluta fidelidade musical. As mulheres e os homens que compõem o Coro são formidáveis e dedicados sob a direção de uma excelente Maestrina. Eu continuaria ouvindo-os pelo resto da noite, mas a roda da vida não para e havia gentes a se apresentarem na engrenagem dos afazeres acadêmicos e culturais. Depois dos aplausos dos presentes, e a sessão de fotos, o Coro retirou-se para cumprir outra apresentação agendada.

A Secretária Geral agradeceu a presença de convidados especiais, a saber: da Academia Morenense de Letras e Artes, Acad. Telma Suely Vieira Costa; da Academia de Letras de Jaboatão dos Guararapes, Acadêmico James Davidson; da Academia de Letras de Gravatá, Vilma Monteiro, Terezinha Carvalho, Carlos Lippo, João Gabu, Gibson Barreto, e Josias Teles.

O primeiro a falar, ou melhor, a tentar falar, e impedido pelo excesso emocional, foi nosso querido confrade Elinaldo Xavier Costa, presidente em exercício, ao tempo em que transmitia o cargo ao ingressante, colega José Airton de Santa Cruz. Elinaldo agradeceu o apoio que recebeu de todos os Acadêmicos durante os quatro anos que durou sua gestão como vice-Presidente e Presidente da ALAOMPE. Agradeceu a Deus que o inspirou durante todo esse tempo, impedindo-o de cometer erros ou equívocos. Com simpatia e satisfação transmitiu o cargo de “Presidente da Academia de Letras, Artes e Ofícios Municipais de Pernambuco – ALAOMPE – AO NOBRE COLEGA JOSÉ AIRTON SANTA CRUZ”, sob aplausos de todos os presentes.

         O colega Airton, antes de usar da palavra, temperou a garganta duas ou três vezes, como para lubrificar as cordas vocais, afastar a emoção para o fundo do peito, e discorrer com clareza e liquidez sua prece de inauguração de um novo tempo que naquele momento iniciava. Enalteceu a gestão anterior, agradeceu o apoio e colaboração de todos os presentes, e disse da seriedade da Academia nos tempos vindouros, já que são muitos os propósitos estabelecidos para o próximo biênio. É claro que assusta o panorama futuro, mas ao mesmo tempo é um desafio digno dos grandes empreendedores, das pessoas que acreditam na disseminação da cultura, das letras escritas, faladas, declamadas em praças publica, em auditórios, nas salas de aulas, e nos eventos culturais de modo geral. Cultura, ação e filantropia é o grito de guerra. Queremos vencer os obstáculos; vamos vencê-los juntos, de mãos dadas, consagrando às letras nossas almas, e nossas ações.

A continuação, o Acadêmico Honoris Causa da ALAOMPE, Josias Teles, que também é um muito ativo Acadêmico da ALAG– Academia de Letras e Artes de Gravatá, proferiu seu discurso, estimulando a nova diretoria a desbravar novos horizontes, a alcançar novas metas acadêmicas e seqüenciais de um movimento que vem sendo perseguido desde a fundação da ALAOMPE em 15/11/2009. Em seguida a pedido meu, leu o discurso escrito pelo Vice-Presidente em fim de gestão, o Sr. Lenilson Xavier da Costa, já que não pode comparecer por motivo de força maior. Lido o discurso de Lenilson, pelo Acadêmico Honorário, Josias Teles com sua voz de barítono, os presentes aplaudiram com entusiasmo as palavras do Lenilson Xavier. Eu, como Vice-Presidente desta gestão que ora se inicia, disse algumas palavras, agradecendo tudo o que foi alcançado na administração anterior, pondo-me à disposição do Presidente em exercício, e estimulando todos os Acadêmicos para o desenvolvimento e progresso de nossa confraria de letras.

Usou da palavra a nova Assistente Jurídica, Sra.   Paula Yonara Barbosa; a Bibliotecária, Srta. Izaura Tatyane de Lima Coelho   e a 1ª Secretária, Mariana Helena de Jesus, a nova Diretora de Cultura Luciane Silva, e por último a Secretária Geral, Sra. Dea Coirolo Antunes.

Para encerrar a cerimônia, a Secretária Geral, Sra. Dea Coirolo, conclamou os presentes a darem-se as mãos para rezar um “Pai Nosso que Estais no Céu”.

Finalmente foi servido um coquetel, com salgadinhos, doces, bolos, champagne, e refrigerantes.

Estávamos todos fartos de letras, de emoções várias e de quitutes variados.

O calor familiar nos chama para o aconchego do lar, das opiniões diversas, quem sabe, algumas críticas, elogios, e expectativa de um futuro incerto.

Foi uma noite inesquecível, cheia de momentos de muita emoção, troca de louvores e confraternização.

Estivemos o tempo todo sob a égide de Jesus, que nunca nos abandonou nem vai abandonar. Que Deus resguarde nossos frágeis corações.

 

Anchieta Antunes

Bezerros, 22/11/2014.

 

CERIMONIAL DA POSSE DA NOVA DIRETORIA DA   ALAOMPE.

DIA 22/11/2014.

 

Boa noite a todos, sejam bem vindos os confrades, confreiras, amigos e convidados

especiais. Pedimos encarecidamente que assinem o Livro de Presença.

Convidamos para formar a mesa o Sr. Elinaldo Xavier, Sr. Lenilson Xavier, Sr. Edgar

Lino, Srta. Elaine Maria dos Santos, e OUTROS.

Neste momento solene vamos ouvir e cantar o Hino Nacional Brasileiro.

Tenho o prazer de passar a palavra ao nosso querido Elinaldo Xavier Costa, Presidente da

ALAOMPE.

Agora vamos ouvir a palavra do nosso querido Vice Presidente, Lenilson Xavier.

Tenho a grata satisfação de anunciar a formação da nova Diretoria da Academia de Letras,

Artes e Ofícios Municipais de Pernambuco.

Presidente: José Airton de Santa Cruz;

Vice Presidente: José Anchieta Antunes de Souza;

Assessora Jurídica: Paula Ionara Barbosa de Lima

Secretária Geral: Dea Garcia Coirolo Antunes;

1ª Secretária: Mariana Helena de Jesus;

Tesoureira: Elaine Maria dos Santos;

Bibliotecaria: Izaura Tatyane de Lima Coelho;

Diretores de Cultura: José Robeval de Lima, Janete Campos de Lima, e Maria Luciane da

Silva;

Conselheiros: Elinaldo Xavier Costa, Lenilson Xavier dos Santos, Dr. José Arlindo Gomes

de Sá, Carlos Antonio Mendonça da Silva, Severino Alves da Silva, Maria da Paz Oliveira,

e Severino Otavio Raposo Monteiro.

Por favor, Acadêmicos da nova Diretoria, todos de pé, para fazermos o juramento de

fidelidade e trabalho da nova diretoria.

A Secretária faz a leitura e vocês repetem.

 

 

 

“COMO ACADÊMICOS DA ALAOMPE, HOJE OCUPANDO OS RESPECTIVOS

CARGOS DE UMA NOVA DIRETORIA, JURAMOS TRABALHAR EM FAVOR DA

CULTURA PERNAMBUCANA, EM SUAS DIFERENTES MANIFESTAÇÕES:

LITERARIAS, ARTITICAS, E ARTESANAIS, COM A FINALIDADE DE HONRAR O

MELHOR DOS ESPIRITO HUMANO. ASSIM SEJA, AMÉM”.

 

TODOS OS ACADÊMICOS PRESENTES PROMETEMOS   SOLENEMENTE  

RESPEITAR   E   TRABALHAR   EM   PROL   DOS ANSEIOS E   OBRIGAÇÕES   DA  

ALAOMPE,   REALIZANDO   ATOS   PUBLICOS   DE   LITERATURA   E  

CULTURA,  COM   A   COLABORAÇÃO DE   TODOS   OS   INTERESSADOS,

COMO PREFEITURA, E SECRETARIAS MUNICIPAIS, PROFESSORES,

ALUNOS, BIBLIOTECARIOS, HISTORIADORES, ARTISTAS E ARTESÃOS,

ESCOLAS PUBLICAS E PARTICULARES, ETC.    PARA   DIFUNDIR   A  

PRÁTICA   DA   LEITURA,   DA   ESCRITA   DE   PROSA   E VERSO, E   DA

LITERATURA EM GERAL .

 

PROMETEMOS   TRABALHAR   COM   AFINCO   PARA   A   DIFUSÃO   DE

NOSSA   ACADEMIA   EM   TODO   O   ESTADO   DE   PERNAMBUCO,   E    

TERRITORIO   NACIONAL,   PARTICIPAR     DOS ATOS   ACADÊMICOS  

DE   OUTRAS   ACADEMIAS,   DE   FEIRAS   LITERÁRIAS ,   DE   POESIAS,    

DE   QUAISQUER   MANIFETAÇÕES   CULTURAIS   QUE   VENHAM   A

ACONTECER   NO   NOSSO   ESTADO E NO   BRASIL,   TUDO   DENTRO   DE  

NOSSAS   CONDIÇÕES   IDEAIS   DE SAUDE   E   FINANCEIRA.

 

Passo a palavra ao novo Presidente da ALAOMPE, Sr. José Airton de Santa Cruz;

 

Que seja muito bem vindo o Presidente Airton de Santa Cruz.

Solicito ao Sr. Elinaldo Xavier, ex-presidente da ALAOMPE, que troque de lugar com o Sr.

Airton de Santa Cruz, para darmos prosseguimento à solenidade, já em seu novo formato.

Passo a palavra ao novo Vice Presidente, Sr. Anchieta Antunes.

Solicito ao Sr. Lenilson Xavier que troque de lugar com o Sr. Anchieta Antunes.

Que seja muito bem vindo para o novo cargo o Acadêmico Anchieta Antunes.

Convidamos para fazer parte da nova mesa a:

Assessora Juridica, Paula Yonara Barbosa de Lima; (palavra – 5 minutos);

1ª Secretária: Mariana Helena de Jesus; (momento poético, poema da autora)

Tesoureira: Elaine Maria dos Santos; ( 5 minutos);

Bibliotecaria: Izaura Tatiana de Lima Coelho; (5 minutos)

A palavra está facultada ao Diretor de Cultura, Robeval Lima, (10 minutos) que neste ato

vem representar todos os Diretores.

CORO DE CARUARU, VEM? CONFIRMAR!

Agradecemos a presença de todos, e damos por encerrada solenidade, agradecendo a Deus

por tudo que recebemos e pedindo sua ajuda para levar a cabo uma excelente gestão; sendo

uma organização cultural, respeitamos a religião individual de cada um dos presentes. De

todas maneiras gostaríamos de finalizar este ato, dando-nos as mãos e rezando um Pai

Nosso.

Convidamos a todos os presentes para compartilhar um coquetel que será servido em

seguida. Boa Noite.

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POSSE   NA   ALAG – DIA 06/12/2014

Boa noite senhoras e senhores, sejam todos muito bem vindos a mais uma cerimônia de posse de um novo Acadêmico , Sr. Severino Fernando da Rocha Jr. que nos dá a satisfação de contar com mais um engajado na nobre causa da cultura. Sabemos que o confrade   Fernando Jr. vai nos ajudar a lutar pela causa comum da divulgação das letras e manifestações culturais, em suas diversas variáveis, tais como prosa, verso, pintura, escultura, artesanato, e o salutar cordel de todos os tempos do nosso velho e querido nordeste..

Não faço parte do quadro de Acadêmicos da ALAG, hoje estou convidado a formar esta dileta mesa como Vice-Presidente da ALAOMPE, e Acadêmico da A L B. Encaro as Academias e seus integrantes como uma “UNIDADE PATRIMONIAL DA   CULTURA”; todas as Academias de um modo geral, e as das microrregiões do agreste Pernambucano, em particular, devem   formar um bloco compacto e homogêneo para a defesa de nosso acervo regional de conhecimentos.     Transmito   os cumprimentos do   Presidente da ALAOMPE, Sr. José Airton Santa Cruz, que por motivos de força maior não pode comparecer, e me pediu que o representasse.

Quero dar as boas vindas ao nobre colega Acadêmico, pedir que ajude as crianças de nossa região a conviver estreitamente com as letras, com as diversidades culturais, com as várias manifestações literárias, e, porque não dizer, filosóficas. O bojo cultural de nossa Nação, considerando as particularidades regionais, é, antes de tudo, sagrado e venerável. Devemos conservá-lo na nossa memória, nos DVD’s, em pen-drive, nos “documentos do computador”, em escritos manuais, em folhas soltas, em nossos cadernos de anotações, até mesmo naquele papel grosso, onde antigamente os açougueiros enrolavam nossos pequenos pedaços de carne para o consumo do dia (papel do charque, segundo as palavras do Presidente da ALAG, Agostinho dos Santos). Tudo que emane da manifestação espontânea de cultura como versos, crônicas, contos, cordéis, discursos, protestos e polemicas estudantis, deve ser preservado para a posteridade Assim teremos uma historia para contar para nossos filhos, netos e bisnetos. Um país com historia é um país com vigor, com causa e efeito, um país com anseios e objetividade, com ancestralidade.

Para não me tornar cansativo, novamente dou as boas vindas ao confrade que hoje nos agracia com sua disposição para lutar pelas letras, na nossa cidade e em outras vizinhas, carentes de mentes brilhantes como a do empossado neste momento.

Um grande abraço para todos e muito obrigado pela paciência.

Anchieta Antunes

Gravatá 06/12/2014.

Anchieta Antunes –

Tem gente que sente, eu mastigo. Quando ela vem com muita força eu a transformo em massa de moldagem e faço uma porção de esculturas bizarras. Tenho um almoxarifado somente para as saudades mais contundentes, aquelas que me marcaram mesmo, como o primeiro beijo que dei em minha mulher Dea, na mata que rodeia o aeroporto de Montevideo, “Carrasco”. Hei! Gente! Carrasco é o nome do aeroporto, e não do beijo ou da saudade. Por favor, não confundam.

         Foi um beijo relâmpago, onírico e fugaz, quando a moçoila correu para casa, procurando a segurança do olhar materno. Um beijo trigueiro, roubado pelo gato ladrão, rápido como um felino, sem cheiro nem cor; apenas um roçar de lábios e inserido “na memória gravada a cinzel.”

         Esta saudade, ou o beijo, transformou-se em vida a dois; nossas vidas que hoje desfrutamos juntos. De vez em quando a saudade nos acomete, quando pensamos nos momentos desfrutados em viagens surrealistas, em passeios submarinos, na gruta onde pisamos e esmagamos a cabeça do leviatã, transformando-o em lava vulcânica.

         Saudades há, que não sabemos definir sua origem ou presença. Surgem nos momentos mais inesperados, inusitados, trazendo-nos surpresas de um passado longínquo. Vem surgindo como uma nuvem de areia no deserto da memória; chega, apresenta-se e pergunta: lembra de mim? Estive com você naquele ano de viagens múltiplas, de devaneios e descobrimentos prazenteiros. Como você gostou de pescar no lago das ilusões, resolvi transformar aqueles momentos em saudade para um dia vir visitá-lo quando menos esperasse. Aqui estou e o lago já não é o mesmo, está poluído, cheio de casas ao redor, jogando tudo que não presta em suas águas outrora limpas.

         Tenho saudades dos lagos do sul do Chile quando vi aquele homem pescando salmão para o casal amigo que viria visitá-lo naquele domingo. Em meia hora ele pescou uns 15 peixes de bom tamanho. Quanta fartura, quanta brancura na água e nas escamas dos peixes brilhantes. Tenho saudade do “hotelzinho” de cidade pequena, na beira do lago, com um café da manhã digno dos deuses; do frio matinal acalmando o sol intruso, do vinho que tomamos, sentados no banco da praça, eu e Dea, sozinhos, e toda a cidade à nossa disposição. Na mesma lojinha onde comprei o vinho, também adquiri um “saca-rolhas” ( em espanhol= “saca-corcho”), fomos caminhando com a alegria da vida resolvida, em direção à praça arborizada, porém sem nenhuma folha para farfalhar em nossos ouvidos. O primeiro trago tinha o gosto de tanino, o segundo estava maravilhosamente maravilhoso, um néctar, não dos deuses, mas, um sabor de Anchieta e Dea. Vida pura, sem mistura, sem açúcar, ou qualquer ingerência exterior.

O que comemos no almoço? Advinha! A dona do hotel tinha ido se divertir na beira do lago, pescando o almoço dos hospedes. Comemos salmão; fresquinho como manda o figurino, digo, o cardápio.

        O preço da saudade varia de acordo com a mentalidade do saudoso. Pra mim não tem preço, pode ser um milhão, ou um milhinho, ou seja, uma moeda. Aliás, estou redondamente enganado, porque lembrança de coisas ruins não é saudade, é frustração e raiva. Saudade só existe para o bem bom, para aquelas coisas que nos aconteceram e nos marcaram de maneira positiva. Sinto saudade da brisa, porque do calor quero é distancia.

         No México tomei água de coco verde com pimenta. Neste caso, a saudade está navegando no barco do momento “esdrúxulo” , já que não gosto de pimenta. Dea comeu doce de “tamarindo” picante. Creio que os mexicanos todas as manhãs, antes de sair de casa, tomam uma dose de molho de pimenta, para lubrificar a vida. Na rua vendem fatias de manga com “chile” . Parece mentira, mas é só ir lá e conferir.

         Hoje quero ser hospede da vida, para forjar saudade, esculpir outroras, e delinear reservas autorais. Hoje para comer preciso do melhor da “Bodega de Dona Santa”; vou escolher minha janta: torresmo crocante, macaxeira espapaçada na manteiga de garrafa, carne de sol assada na trempe do fundo do quintal, com carvão de mulungu, quero tapioca de coco, jerimum caboclo cozinhado com casca, batata doce e inhame. Pra sobremesa prefiro “baba de moça” feito com a laminha do coco verde, bastante açúcar cristal, alguns cravos da índia, e uma grande pitada de cheiro no“cangote” da cozinheira. Tudo, claro, acompanhado de um café preto retinto, torrado na lata de tinta, com o fundo furado pra escorrer a ultima gota de seiva.

         Pra estralar a língua de prazer e puro gozo, preciso de uma saliva adoçada com o mel do encantamento, aquele da colméia coberta com a asa do anjo dos sonhos preservados para a eternidade, e, por isto mesmo, vou guardar esse momento no almoxarifado de saudades especiais, para daqui a alguns anos apanhá-la com os dedos enluvados e gozar dela à luz da lua cheia.

Saudade a gente faz como quer, é só ter imaginação e não ter medo do ridículo. Eu mesmo adoro sobrevoar meus dias escanchado no lombo da saudade, entre suas asas, e olhar para baixo como se estivesse escolhendo meu melhor momento…   “para   revivê-lo” .

ALAOMPE

Anchieta Antunes – Copoyright

Gravatá – 30/11/2014.

Anchieta Antunes –

         Quando estou com saudade dela subo na minha caleça e vou procurar por ela. Às vezes ela está escondida bem longe, depois da penúltima curva do destino, conversando distraída com o medidor de estradas. Não está nem aí pra “bem perto”. Dele só quer lonjura, porque “bem perto” é muito conversador e toma todo o tempo que ela tem pra trabalhar, ou seja, para ir para bem distante de tudo, de todos, até mesmo da saudade, de quem é muito amiga e até mesmo comadre. Algumas vezes a saudade arma pra ela e a carrega pra perto do homem que está com saudade da distancia; Sabe! Aqueles homens que gostam de viajar, de conhecer outras ruas, praças e coretos. Teve um vaqueiro com sangue nos olhos que ficou com raiva da distancia, e sem nenhuma cortesia, a levantou pelos cabelos colocou dentro do matulão, montou no seu cavalo e a levou para uma praia bem distante. Lá naquela lonjura, abriu o saco de couro, despejou seu desafeto na areia quente e disse com desafio:_ agora quero ver você ir pra bem distante de mim. Você sabe que eu te amo, mas sempre que me descuido, você escapole e vai pra bem longe de mim! Ora! Por que não me leva, você não sabe que adoro viajar, ir pra bem longe de tudo? Ficar escondido no sovado da madrugada, conversando com as estrelas, perguntando onde fica o esconderijo de Deus?

         Com afeto ou desafeto, quando estou sozinho no mato, me deito na cama de gato, fico olhando pra lua, e quando ela pisca um olho pra mim, querendo me namorar, digo bem baixinho pra ela não escutar: meu amor, você está muito distante, venha mais pra perto e vou te mostrar com quanto paus se faz uma jangada, com quantos milhos se prepara um curau, e onde fica escondida a beira do beijo roubado, aquele beijo que o vento safado, com raiva do meu amor por você, levou nas suas asas pra bem longe de mim. Um dia eu pego ele e trago você de volta pra mim. Vem pra cá, vem!

         Ouvi dizer que a distancia não carrega mala, nem saco, nem pavio, porque não quer se comprometer com ninguém, com nada, nem mesmo com datas. Eita, ente de Deus arrenegado! Tudo que ela vê, pega e leva pra bem distante e deixa por lá vagante , e quem quiser que vá buscar, na casa do bacurau, ou no tronco do pica-pau.

         Também me disseram que a distância só tem compromisso com a solidão, e às vezes se senta triste e sisuda em cima daquela pedra pra pensar na vida do viageiro que um dia ela levou, e não lembra onde deixou, e fez ele abandonar mulher e filho na Lagoa do Mundaú, pescando peixe com chuva, matando lebre com vara, cuspindo poeira e pancada, e levando pra mãe em casa, apenas a calça rasgada. É num momento deste que tenho vontade de gritar:_Distancia, deixe de ser malvada, pegue o homem pelo braço e leve ele pra casa, que Maria ta morrendo de saudade, e é só pele e osso, os olhos esbugalhados e a barriga nas costelas. Ela só pensa nele e me disse que quer morrer bem “pertinho” do cheiro do couro do seu vaqueiro, passar a mão nos seus cabelos rebeldes, duros como espinho de “cardo santo” benzido pelo anjo da cura milagrosa. Ela grita no meio da noite, no claro da lua cheia, com vontade e hombridade>_ Vem homem de Deus, vem pra pertinho de mim, me dá um cheiro e me deixa morrer feliz, pelo menos uma vez na vida, na hora da despedida.

         Maria ainda grita com toda a força amorfa de seus pulmões esburacados:

         _DISTANCIA, se transforme, pelo menos uma vez, em “BEM PERTINHO”, e traga ele pra junto de mim, pra eu lhe dar um último beijinho.

               ADEUS DISTÂNCIA, VAI PRA BEM LONGE DE MIM!!!

ALAOMPE

Anchieta Antunes – Copyright

Gravatá – 1º de dezembro de 2014

POR ANCHIETA ANTUNES

 

         A dor anula sentimentos viageiros, apaga lucidez e temperança; Ela é precedida pelo trauma que desvirtua a cor da carne, da pele, e perverte a vontade. Invade searas sagradas de deidades intrínsecas, suja o templo da pureza de raciocínio, dilacera vontades e coragens.

         Como areia movediça engole tudo, com voracidade inexplicável, transcende o espírito, afoga o desejo, aniquila o caráter. Na subida ou na descida a gangorra do sofrimento derrama lágrimas de desespero, como se a última gota não servisse para saciar a angustia e a rudeza do transtorno.

         A dor é o cravo da cruz, o amparo dos pés tingidos de vermelho; é o brado de fé para o último talho da guilhotina; a certeza do corpo demolido, o sucumbir do orgulho do guerreiro.

         A tipóia é a carruagem do “bardo” que oscila nas curvas dos versos que deambulam sobre pedregulhos de escárnio, conduzindo-o para o calabouço do silêncio imposto pela tortura totalitária.

         O lago à frente borbulha fervura brilhante e visceral, liberando lâminas afiadas que dilaceram como vidro raivoso. A única certeza é o momento presente, cruel e silente, algoz de um lapso intempestivo.

         Passados os dias, ela nos abandona como se nunca tivesse nos visitado, e, diga-se, à nossa revelia; vai-se com o mesmo valor de instantaneidade com que abriu a porta de nossas emoções pueris, intocáveis, santificadas. Chega como um aríete pontudo, desvirginando nossa candura, atropelando o tapete mágico de nossos doces sonhos cândidos e etéreos. Parte para os confins do horizonte e nem mesmo nos deixa de triste lembrança, uma foto do esgar da fisionomia alterada pelo fantasma dos tempos austeros.

         A dor é como uma criança sapeca que aperta o nó da gravata até quase sufocar o incauto transeunte de megalópoles. Como habitante de um mundo para nós invisível, a dor quando parte não deixa rastro para não ser identificada pelos profissionais da saúde, que descobrem, até mesmo, micro partículas abissais.

         A dor é uma sombra em plena noite, dentro da caverna do holocausto; inexorável como a natureza, incolor, solitária, sem compleição física, amorfa, inatingível e odiada por todos os seus hospedeiros. Quem a criou foi o mesmo Criador de nosso corpo perfeito, e ela serve de alerta para os perigos que não enxergamos.

         A dor deambula pelos vales de lagrimas, como um asceta que entoa bruxuleantes cantatas nas auras das pessoas que vagueiam pelas ondas dos ventos tenebrosos. Ela existe como intangível vagar de sombras em desertos inóspitos.

         No corredor da angustia pulsante, com luz ou no escuro, o sôfrego ambulante pode perceber que o seu sepulcro sorri para ele, como um acólito da maldade, debochando de um osso enfermo, de uma torção incúria, de um momento descuidado.

A dor não absolve pecados passados, presentes ou futuros.

         Ela não grita, faz gritar, faz gemer na senda do infortúnio.

 

 

ALAOMPE

Anchieta Antunes – Copyright

Gravatá – 29/11/2014

ANCHIETA ANTUNES

Baluarte fincado
na esquina
da cultura,
na curva do saber,
na crista da onda,
vislumbrando
a aurora das letras,
da palavra falada,
da rima e da métrica,
da poesia nacarada
no leito orvalhado,
na capela das conquistas.

Delasnieve costuma escrever um rosário de vitórias conquistadas sobre pedras afiadas, cortantes, desgastantes; dilacera os pés e a alma que chora, e que persiste, e consegue, inda que seja na última réstia da luz do sol, que chega claudicante para iluminar sua arena de pelejas e contratempos. O brinde é servido com a última gota de suor, aquele que pingou em suas noites insones, buscado solução, viabilidade, exeqüibilidade, sustentabilidade, execução e penhora.
Delasnieve não trilha caminhos fáceis, aplainados; o dom de sua palavra existe para conseguir e construir. A alegria aflora quando a cortina é aberta e começa o espetáculo; neste momento ela ri com todos os poros, com a certeza da conquista, da vontade conseguida na banca derradeira que vende ilusões, no tabuleiro de fim de feira.
*Sua palavra é o verbo criador*
O desejo transformado em realidade patente, latente, contente.
Delasnieve Daspet
É….
ALAOMPE
Anchieta Antunes – Copyright
Gravatá – 15/11/2014.

L I D I Z Homenagem a Lilia Diniz

Um sorriso maroto,
olhar de esguelha
burlando-se da vida –
para a dúvida…
apenas um muxoxo

Postura retilínea
curvilinea, trigueira
derrama versos e rimas
em tablados,
coretos e palcos,
com seu jeito felino
decora CORA,
alinha peças,
diverte platéias

Com lágrimas derramadas
no plano da palmatória
convida a todos
para provarem docinhos
no grande sarau da vida,
com o sal da verve
e alegria incontida.
Diniz Coralina
é “o” nome delas.
ALAOMPE
Anchieta Antunes – Copyright
Gravatá – 8/11/14.

 

InvVocê convive com elas o tempo todo: no seu trabalho, em eventos, na sua família. Pessoas tóxicas são aquelas que exalam algum tipo de sentimento ou característica ruim que pode afetar seu dia a dia.

Como qualquer tipo de toxina, você precisa limitar sua exposição a essas pessoas ou até mesmo cortar laços para se proteger. Segundo o site da revista “Inc.”, esses sujeitos infelizmente não vêm com avisos ou alertas. Por isso, aqui vão alguns sinais para identificar esses tipos:

1. Pessoas arrogantes
Há uma grande diferença entre confiança e arrogância. Confiança inspira; arrogância intimida. Pessoas arrogantes sempre sabem mais e se sentem superiores aos outros. Elas nunca vão celebrar sua confiança, porque isso interfere na arrogância delas.

2. Pessoas vítimas
Uma das piores pessoas que você pode encontrar na sua vida são as que sempre se fazem de vítimas. Elas olham para seus próprios erros e sempre encontram alguém para culpar. Elas nunca se responsabilizam pelas vidas delas.

3. Pessoas controladoras
Elas sabem tudo e a melhor forma de fazer qualquer coisa, mas no fundo são pessoas extremamente inseguras. O problema é que enquanto você estiver rodeada por elas, você nunca terá chance de dar sua opinião ou ser escutado.

4. Pessoas invejosas
Elas nunca estão felizes com o que têm e são incapazes de ficarem felizes pelas boas coisas que acontecem com você. Elas acreditam que se alguma coisa benéfica tem que acontecer, deve ser com elas.

5. Pessoas mentirosas
Mentirosos crônicos são perigosos porque você nunca saberá no que acreditar. Você não poderá contar com as promessas deles ou suas palavras. Eles mentirão para você sobre outras pessoas e sobre outras pessoas para você.

6. Pessoas negativas
Você provavelmente deve conhecer alguém que vive irritado, ressentido, desconfiado de tudo. Negatividade destrói relacionamentos e passar tempo com pessoas assim dá a sensação de que estão sugando sua vida.

7. Pessoas gananciosas
Muito de nossa cultura nos guia para querer mais, alcançar mais, faturar mais. Até certo ponto isso é bom, mas se torna tóxico quando alguém quer tudo – o que é seu ou dos outros –, e o processo de conquistar essas coisas se torna mais importante do que até mesmo viver.

8. Pessoas que julgam
Há uma grande diferença entre julgar com base em dados objetivos e julgar apenas para criticar. Pessoas que julgam demais são rápidas para tirar conclusões que nem sempre se provam corretas. Elas são péssimas ouvintes e comunicadoras.

9.  Pessoas fofoqueiras
Elas conversam sobre os outros sem distinguir o que é especulação e realidade. Isso é uma forma de elevá-las acima de suas inseguranças. Poucas coisas são mais destrutivas do que fofocas.

10. Pessoas sem caráter
Se uma pessoa não tem integridade ou honestidade –  trair, manipular, fofocar fazem parte de suas atitudes diárias –, haverá poucas coisas que ela não faça para conseguir o que quer.

Fonte: http://revistapegn.globo.com/Dia-a-dia/noticia/2014/10/10-tipos-de-pessoas-toxicas-que-voce-deve-evitar-na-sua-vida.html

XXII CONGRESSO BRASILEIRO DE POESIA.

BENTO GONÇALVES – RS.
DE 6 A 11 DE OUTUBRO DE 2014.
HOTEL VINOCAP
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Eu estava no escuro, com a expectativa pipocando nos nervos.
ERA A MINHA PRIMEIRA VEZ…
TINHA MEUS RECEIOS, OU SERIA MEDO MESMO?
Ela poderia aparecer a qualquer momento, era só dobrar a esquina e dar de cara com a surpresa desconhecida, ainda que esperada. Foram momentos de angustia e pré-gozo. Ah! Meu Deus como será? Saberei me comportar à altura do esperado por todos? Que venha logo de uma vez, que apareça em carne e osso, preciso conhecer o sabor da volúpia da palavra sussurrada ao pé do meu ouvido, sibilando cada letra.
EIS QUE ELA CHEGA COM TODA SUA GRAÇA SINUOSA…
Falava com as mãos, com os olhos, com todo o corpo em contorção, era eloqüente e invasiva, atrevida e até mesmo um pouco descontrolada em seus movimentos ondulantes.
A POESIA CHEGOU PARA DOMINAR…
Os poetas não passavam de veículos das imagens, das rimas, das mensagens, (marionetes) transportados à quintessência do prazer da palavra falada, da declamação, da força poética, do turbilhão de idéias arrumadas magistralmente.
Eu estava assistindo à abertura do XXII Congresso Brasileiro de Poesia, em Bento Gonçalves. Estava estático, abalado com tanta demonstração de liberalidade, de espontaneidade, de “estado poético”. Inibição! O que é isto?
Para mim que nunca havia participado de um evento tão brilhante de pura literatura, toda aquela movimentação pareceu-me um
“ADMIRAVEL MUNDO NOVO” *(Aldous Huxley)
Com os olhos esbugalhados procurava entender e gravar tudo o que via e ouvia. Uma cascata de novas informações deixava-me extasiado e ao mesmo tempo entusiasmado com o alvoroço dos diletantes poetas e poetisas. Tentei absorver uma enxurrada de palavras novas, ou pelo menos, colocadas em situações desconhecidas para mim: “licença poética”. Alguma coisa ficou registrada nos meus parcos neurônios, outras ficaram deambulando nas vias da cidade serra.
De manhã cedo, címbalos sonoros e prudentes visitavam nossos leitos para a chamada geral do café matinal. Eu me levantava com os olhos cheios de sono e só conseguia acordar embaixo do chuveiro, após o choque térmico. Vestia-me depressa e descia para ouvir os primeiros chilreios ritmados. Com a boca mastigava os alimentos, (por sinal um excelente café matutino), e com os ouvidos deleitava-me com os estribilhos recitados; um bálsamo para qualquer espírito em êxtase.
Na porta do hotel olhava para cima, para baixo e percebia o regato de letras danadinhas libertas, e independentes, descendo em louca corrida, ladeira abaixo, com lúdico alvoroço, para se encontrarem no banco da praça lá embaixo, em frente à Prefeitura. A postos já havia um declamador, apenas esperando aquela tempestade de letras agruparem-se, formando palavras, versos, e, finalmente, mais uma poesia sendo exaltada a plenos pulmões em praça publica. O ritmo cadenciado da poesia bem proposta, passeia na cabeça de cada um, formando uma canção particular e romântica, singular e pujante, furibunda e flamejante, às vezes vestida de vermelho. O meu amigo poeta Renato Gusmão, a quem saúdo com saudade, “pegou um Ita no norte” e foi ver o peso da poesia nas bandas frias do Rio Grande do Sul, em Bento bendita e escanchada no cimo da serra, com suas brumas de nuvens brancas. Com sua voz quente do norte e o vigor de seus poemas, ele desfilou rimas e ritmos, e até mesmo ritos na declamação de seu gênero literário.
Mais um dia estava começando, mais uma jornada literária, mais versos, mais sonoridade, mais exaltação artística na rua, no palco, nas escolas, nos presídios, no hotel, no auditório, na alma de cada um. Todos participaram, todos declamaram de memória ou lendo, seus poemas escritos quem sabe a que hora da noite solitária no recanto de cada escrevinhador. A inspiração não marca hora para nos visitar, vem quando quer, e vai entrando sem pedir licença, na nossa cabeça como se fosse a amante despudorada, manhosa e mandona, como se estivesse segura de ser a esteira de nosso sucesso; e parece que é mesmo.
Vi-me envolvido numa espiral de cordões de seda regados a fluidos essenciais e inspiradores; ouvi as cordas do violão plangente refutando duvidas e tristezas, ouvi a pancada do pandeiro cadenciado nas mãos de um profissional competente, deleitei-me com a voz robusta da seresteira em arrebatamento romântico e melífluo, ri com todo meu corpo quando desfrutei da interpretação da jovem atriz imitando nordestinos em desabalada carreira pelos sertões da seca perversa. A arte pura, sem mistura e sem prazo de validade desfilando no meu cristalino, enchia meu espírito de leveza, de candidez e felicidade, transbordando meus limites corpóreos.
Acalentei os versos de Claudia Gonçalves, a candura de Marisa Cajado, o atropelamento de Edmilson Santini, a arte pura em forma de versos de Artur Gomes e José Salgado Maranhão; o malabarismo gestual de Sady Bianchi, as águas mornas do Amazonas de Fernando Pessoa, aquele de Belém do Pará, não o lusitano saudoso. Cataguases foi lembrada e reverenciada pelo augusto nome do poeta Ronaldo Werneck. Talentoso e simples como uma folha verde, romântico e sensível quanto a seiva da mesma folha verde. Um ilustre SENHOR, um imponente POETA.
Arrepiei-me com o trabalho incansável de Ademir Bacca, que não parava um minuto, que organizava, que providenciava, que resolvia, que dispensava e convocava, que não deixou nada ao acaso. Uma coordenação perfeita, irrefutável, brilhante e digna de meus maiores encômios.
“PERFEIÇÃO BACCA”
Marca registrada, copyright, direitos reservados, inimitável, intraduzível, afinal de contas estamos falando da PERFEIÇÃO BACCA. Nada menos, nada mais.
Arrepiei meus cabelos brancos porque vi-me circunscrito no circulo do amor tangível, preso nas tenazes de alvoroçadas paixões incandescentes, constantes e mutantes, rápidas, vorazes e passageiras; alegres, juvenis, risonhas e felizes. Apaixonei-me varias vezes por dia, amei todas as poetisas, todos os poemas, todos os poetas; desfrutei de cada vírgula, envolvi-me nas curvas das interrogações, saltei o ponto e vírgula, e parei nos dois pontos. Não me deixei escravizar pelos “parêntesis”, nem coloquei meus pés na reticência, não duvidei da interjeição. Amei todos muitas vezes por dia, consciente de que
“O AMOR POÉTICO É VERTICAL”.
Chegou o dia da despedida… o momento dos adeuses, dos abraços e de algumas lagrimas escorrendo face abaixo. Não gosto de dizer “adeus”, não gosto de olhar para trás e ver o momento passado, a esquina dobrada, o passo caminhado, as nuvens caídas, não gosto do sopro da saudade no meu cogote. Não gosto… parti e aqui estou escrevendo meus devaneios e saudades… não gosto.
Bento Gonçalves que nos espere em 2015.
Será que estarei menos observador e mais participativo? O tempo dirá!

ALAOMPE
Anchieta Antunes – “copyright”
Gravatá – 24/10/2014.

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